28 abril, 2009

WLTF?

Às vezes [em raras vezes] a Revista VOID aparece com alguma coisa interessante.
A última edição foi uma delas. E contribuiu até para seguir com essa vibe [!?] pornográfica do blog, que daqui a pouco vai ter um daqueles avisos “você tem certeza de que quer continuar nesse blog feio, bobão e malvado?”.
[stupid joke mode OFF]

Conheçam o WLTF.

WLTF [Would like to fuck] é um projeto fotográfico independente, cuja curadoria e divulgação é feita por Rodrigo Novaes, artista plástico brasileiro radicado em Londres.

Por enquanto a galeria/rede/plataforma/publicação de imagens eróticas é apenas online, mas com intenções de ser publicada em papel, como revista.

Segundo Rodrigo Novaes o WLTF é:
"Desejo sexual que foge do apenas pornográfico. Expressão subjetiva dos desejos interiores, das leituras que a justaposição de imagens e ideias pode gerar."

A publicação é trimestral e colaborativa. Rodrigo coleta imagens da internet, com autorização dos donos e, em 6 meses de vida, a revista já atraiu colaboradores de todo o mundo.

Quer ver mais? Vai aqui.
Quer contribuir? Vai aqui.

I WLTF... Wouldn't you?

27 abril, 2009

26 abril, 2009

Suicide Club

É óbvio que eu sou apaixonada pelo Suicide Girls.
E quem me conhece sabe que eu acho Fight Club um dos melhores filmes já produzidos.

Juntaram os dois, em comemoração ao décimo aniversário do filme de David Fincher.
Impossível dar errado.







O Suicide Girls disponibilizou o ensaio completo aqui.

Vi aqui.

25 abril, 2009

A escolha

Sempre defendi e sempre vou defender a ESCOLHA de fazer aborto. Minha consicência me permite e não acredito em religião. A única coisa que me falta é a Lei. Não pretendo discorrer sobre o assunto, acho que a Bruna o fez super bem aqui e aqui. E concordo com ela em todos os argumentos utilizados.

O que me faz escrever esse post são duas coisas.
A ONG Women on Web, uma dica da mesma Bruna, e o primeiro comercial sobre a pílula do dia seguinte, veiculado no Reino Unido, nesta semana.

O primeiro trata-se de uma organização holandesa que faz consultas online, dá informações e fornece aborto por meio de medicamentos a mulheres de países onde o aborto é proibido, nosso caso. Um aborto com comprimidos é seguro, segundo a ONG, e semelhante a um aborto espontâneo. Todo o processo [até mesmo para aqueles que só querem testar mas não tem a intenção de adquirir nada no momento] pode ser conferido neste link.


Já o segundo, o comercial (abaixo), é da Bayer do Reino Unido para o medicamento Levonelle One Step e teve sua veiculação liberada somente após às 21 horas. A polêmica acerca disso já começou. Instituições como a Igreja, grupos de pais e ativistas pró-vida já estão querendo a proibição do filme.

Aqui no Brasil foi regulamentada em 2000 pela Anvisa a veiculação de material publicitário somente dos remédios isentos de prescrição médica, nos quais enquadam-se as pílulas do dia seguinte. Mas duvido muito que as empresas farmacêuticas que atuam aqui sequer cogitem a ideia.

Acredito no livre arbítrio e, principalmente, na inteligência de não usar a pílula do dia seguinte [e também o aborto] como um método contraceptivo. Mas daí vamos cair na ladainha de que nem todos tem o mesmo acesso à informação e eu acho essa discussão realmente desnecessária.

No mais, o importante por ora é divulgar essas duas ações para nós, que temos acesso a esse tipo de informação.

O comercial do Levonelle One Step.

23 abril, 2009

Medo

O mau-gosto é tanto que se eu não tivesse visto impressa na Revista Caras dessa semana juraria que é uma peça do Desencannes.

22 abril, 2009

Fetiche

Já cantei essa pedra aqui no blog duas vezes: uma aqui e outra aqui. Mas parece que agora os grandes portais de moda do país começaram a perceber ou criaram coragem para tocas no assunto: fetiches, sexo doentio, taras e demais bizarrices estão agora [e estarão presentes] nas coleções, desfiles e editoriais nos próximos meses.

Hoje encontrei duas matérias no site do Marco Sabino, um dos mais importantes estilistas de moda carioca e escritor de um dos mais importantes livros de moda do Brasil. Uma falava sobre roupas de PVC e a volta dos looks fetichistas. A outra trazia o strip-tease de Raquel Zimmermann na Vogue Paris e, nas palavras dele, "O Pornô-chic dos anos 2000, comandado por Tom Ford". Aliás, Raquel Zimmerman está em dois [and still counting] desses editoriais.


Mas ainda me pergunto de onde isso surgiu e para onde isso vai? Principalmente na campanha da Arezzo. É para atingir a consumidora mais ousada? É para deixar a consumidora mais ousada? Tell me.

21 abril, 2009

Style on the streets

Meu chefe sempre fala que informação boa é aquela que circula.

Pois então...

Ontem eu escrevi um post no blog da firma sobre os milhares de blogs de street style. E acho que vale muito a pena repetir o assunto por aqui, não apenas por ser algo que eu gosto e vejo todo dia, mas também porque este tipo de movimento é importante como referência de moda, comportamento e inspiração para qualquer atividade criativa.

Não sei bem como esses blogs começaram, mas o primeiro que eu conheci foi o Sartorialist, que já é bem famoso, inclusive aqui no Brasil (até apareceu naquele ranking da Revista Época).

No blog que o planejamento da DCS alimenta para clientes e colaboradores, o BETABLOG, tem dois vídeos de street style postados: um de Paris e Milão e outro de Nova York. E foi a partir dessas pautas e das postagens da @bamp e @ipringles no Twitter que eu começei a me interessar e conhecer mais e mais.

Só para dar alguns exemplos aos quais eu assino: Helsinki, Paris, Milão, NY, Tokyo, Copenhagen, Buenos Aires, Berlin, Londres, Barcelona e São Paulo. Aqui em Porto também tem, mas eu acho que a proposta não chega nem a ser parecida, a versão porto-alegrense é mais "combinada".

Na maioria destes blogs já víamos looks boyfriend, meia-calça vermelha e ombros marcados muito antes das revistas de moda darem a devida atenção a eles. E, resolvendo apostar no próximo verão brasileiro, a pedido do mesmo chefe, vou de flores, preto+branco e influência japonesa, que estão aparecendo bastante nos blogs do hemisfério norte.

Para quem gosta de pesquisar e experimentar com a moda, vale muito a pena.

Sobre o talento e as boas ideias [sem acento, infelizmente]

Alguns amigos meus têm ideias muito boas, eles transformam, misturam, inspiram-se e criam projetos muito bacanas, como eu já mostrei aqui.

E então o Kalil, meu pai, planária, ex-publicitário, super-ator, sem noção em busca de aventuras, empreendedor desde criancinha, teve essa ideia genial que foi comprada pelo Beco: O TEATRO DO BECO.


Isso vai funcionar da seguinte maneira: O Porão do Beco, durante às sextas-feiras, vai virar palco de teatro com peças, performances, intervenções e mais algumas coisas. A função sempre vai começar às 20 horas, seguindo com a programação normal de festinhas depois. R$12 para os sem-talento, R$10 para a classe artística.

Para a noite de estreia as atrações são?

- Peça-show "Lipstick Station", de Jezebel de Carli.
- Dança-malabares "Estado de Espera"
- Heinz Limaverde (Bagasexta)
- "Amy Winehouse" por João Carlos Castanha
- Mely (Make Up)
- Jaqueline Bueiro
- Schutz
- Gabriel Machuca
- Lipsen
- Exposição de fotos por Kiran
- Outras performances e atrações surpresas.



Nesta sexta, excepcionalmente, estará aberto a partir das 23 horas para o público.


Fiquem informados, apareçam e tenham um motivo para dizer que o teatro em Porto Alegre é bom e acessível SIM!

Mais informações: www.teatrodobeco.blogspot.com


17 abril, 2009

Para que servem os blogs?

O meu funciona para desabafos.

Quase 6 anos e meio morando em Porto Alegre. Assaltada pela segunda vez hoje. Não consigo dormir pensando em tudo que poderia ter feito e que na hora não fiz. Parece que a gente sempre tem mil e uma alternativas para situações como estas, pelo menos eu tinha. E sempre soube me defender muito bem, de tudo. Mas chega a hora em que simplesmente tudo some e tu se sente uma coitada indefesa que não quer mais sair de casa.

Sempre disse que acho melhor ser assaltada em Porto do que em Bento [e que triste ter que fazer uma afirmação assim] porque, em Bento, cidade pequena, é fácil encontrar o teu assaltante pela rua, por isso existe a intimidação. Meu pai foi assaltado por lá, parou no hospital. Além de machucados pelo rosto, teve um braço quase quebrado. Em Porto Alegre a situação é diferente, eles tiram tudo que puderem o mais rápido que puderem e saem correndo [pelo menos foi assim que aconteceu comigo, nas duas vezes].

Hoje puxaram e arrebentaram minha bolsa. Foram um tanto infelizes, ficaram com 2 reais, um colírio que estava acabando, um estojo de lentes de contato, 4 tridents e 4 cigarros. Mas não é por isso que eu fico com menos raiva. E a raiva tem rosto. Todos os detalhes desse rosto.

Mas o que eu tiro disso são duas coisas.
Duas coisas apenas que não vão mudar amanhã quando a raiva passar.

Graças aos dois assaltos eu tenho preconceito de quem usa calça larga "olha minha cueca", moleton/camiseta larga, boné e que venha caminhando na minha direção pela noite. É pegar a parte pelo todo? Certamente. Mas o que somos nós se não impressões pessoais? O que seria de mim sem associações? Ainda estaria colocando terra na boca.

Segundo, se um dia fui meio hiponga e defendia os direitos humanos em qualquer situação, sinto muito, duas pessoas me fizeram mudar de ideia. E nem sei o nome delas. Posse de armas? Sou a favor. Violência? Alguns merecem.

Agora enfim entendo porque, a medida que as pessoas envelhecem, elas vão ficando menos intolerantes com alguns tipos de atitudes "direitosas".

TOMARA QUE VOCÊS DOIS MORRAM!
E QUE SEJA DOLOROSO.

Chega logo, cidadania italiana. O Brasil tem lixo.

16 abril, 2009

My music substitute

Lendo meus feeds vi uma frase que era mais ou menos assim "Jamendo é uma nova rede social para compartilhar, baixar e ouvir música". Na hora já abri uma nova aba para saber do que se tratava e se valia a pena. Acabei perdendo a fonte de tal informação, mas o que importa mesmo é que o Jamendo, até onde deu para testar hoje pela noite, parece um irmão bastardo, sujinho e mal-nutrido do last.fm. E isso não é nada ruim.

Desde que o last.fm passou a ser cobrado [com exceção dos States, Iglaterra e Alemanha] eu fiquei um tanto orfã da minha rede social de música preferida. Além das indicações do Macki, eu descobri várias bandas muito boas pelas listas de "parecidos" que o last.fm fazia. Minha conta ainda está lá, mas parei de usar, desativei os plug-ins do WMP e o Macki nunca mais mandou dicas.


Ainda não sei direito como o Jamendo funciona, estou testando. Mas pelo que conferi até agora, posso fazer algumas observações:

1. O layout é tristinho. Não é limpo e acessível como o last.fm, tive que fuçar muito para achar algumas coisas.

2. No que eu coloquei 4 tags nas preferências musicais, o Jamendo já indicou uma banda de noise, math-rock [wtf?] chamada Pull my Daisy. Gostei. Apareceram também indicações de bandas semelhantes. Gostei muito.

3. Essa indicação veio com um link para fazer download do álbum.

4. Artistas podem fazer upload de seus álbuns. Não testei, não sou artista. Mas eu tenho a impressão que a base do Jamendo é de bandas independentes.

5. Parceiro do Creative Commons.

6. Tem fóruns, comunidades, widgets e mais um caminhão de coisas.


Enfim, só testando.
A única coisa da qual eu sinto muita falta e ainda não achei foi um plug-in que sincronize o que eu ouço no WMP com o site. Mas OK.

Aos que estiverem interessados, essa é a minha conta.

15 abril, 2009

Sobre a beleza de corar

"Eu costumava odiar ficar tímida ou nervosa, mas agora eu anseio por isso."


Binki Shapiro em entrevista para a revista Noize de março de 2009.

13 abril, 2009

Beautiful girls

Acho o corpo feminino muito mais "fotografável" que o corpo masculino. Tem um quê de poesia que não é monótona, mesmo quando feio, é bonito. É agradável, quase sincero.

Olhar mulheres nuas não envolve só um desejo sexual, é arte, prestar atenção nos detalhes, é se olhar no espelho de formas diferentes. E é não ter medo nem vergonha de dizer.



Não é difícil encontrar boas fotos de mulheres.
E várias delas são as pin-ups suburbanas do fotógrafo nova-iorquino Jonathan Leder.






Um passarinho?

Viram o anúncio da Dell?
























Primeiro anúncio direcionado e exclusivo para mídias sociais (que eu lembre).
Que tal?

[peguei da Revista da Semana desta semana, obviamente].

You are so beautiful


09 abril, 2009

Just another cigarette


minha próxima tattoo


Como eu já falei no Update do post abaixo, estava olhando meus feeds e achei um post parecido com o meu (não era cópia, foi postado antes). No que fui comentar, vi esse link postado por essa garota.

É o Just another cigarette, com fotos lindas de anônimos e famosos fumando.
Vale a pena olhar.





Smoke, please.

Marcello Mastroianni

A Assembleia Legislativa de São Paulo aprovou na última terça um projeto de lei banindo cigarros e seus derivados em todo e qualquer ambiente coletivo fechado.

Entram na lista de proibição bares, boates, restaurantes, hotéis, pousadas, áreas comuns de condomínios, casas de show, shoppings, ginásios esportivos e estádios, todas as repartições públicas, hospitais e até carros de polícia e táxis. Os ambientes livres para os fumantes acenderem seus cigarros ficaram restritos à casa e à rua.

Ainda falta a sanção do governador do estado de SP, o que vai acontecer, uma vez que ele é o criador da proposta (José Serra), e então a lei propriamente dita entrará em vigor em 90 dias.

Só para deixar bem claro, o fumante que for pego infringindo a lei não será punido, mas sim o dono do estabelecimento no qual estava fumando.

Infos do CCSP.

Não quero entrar no mérito da lei ser boa ou não, sou fumante e obviamente iria gostar de ficar fumando onde eu bem entender, mas entendo o lado de quem não é fumante e imagino que deva ser um saco. Assim como vai ser um saco para os fumantes no futuro, que terão que parar de fumar ou terão que se retirar até o lado de fora dos estabelecimentos para alimentar o vício [e quero só ver como as casas noturnas vão lidar com isso]. E, na boa, quem está acostumado a fumar como eu, não consegue passar uma festa inteira sem fumar.

Será que os índices das home parties vão aumentar ainda mais?
Por mim, sim.




Para finalizar, fotos da época em que fumar era
"fumar é uma maneira sutil, e disfarçada de suspirar"
[Quintana].


Sean Connery


Audrey Hepburn


Clint Eastwood


Sophia Loren

Marylin Monroe


UPDATE: Acabei de ver nos meus feeds que o don't touch my moleskine tem um post um tanto parecido, postado bem antes que o meu. Coincidência, juro. Tá aqui o link.

08 abril, 2009

She's like a rain bow






she comes in colors everywhere
she combs her hair
she's like a rainbow
coming, colors in the air
oh, everywhere





E já vimos aqui:



Anúncio lindo e bem cute.

06 abril, 2009

Blog, blog. Baby.

Este blog está sofrendo [sim, sofrendo] mudanças em seu layout.
E como sou eu quem está fazendo essas mudanças, é sempre possível que aconteça alguma merda. Então, não se surpreendam se as coisas ficarem estranhas do nada por aqui.

Bacci.



Gil Elvgren.

05 abril, 2009

Avant-garde photography


De click em click eu cheguei até essa comunidade do livejournal, a Foto Decadent.

Nela, vários editoriais de moda, das mais variadas revistas, com infos precisas e concisas: modelo, estilista, revista, fotógrafo e, claro, as fotos. Vale como pesquisa, vale como deleite.

Fiquei horas catando fotos e achei esse ensaio da fotógrafa Joanna Kustra que eu estava procurando fazia um tempinho.





03 abril, 2009

Pequenas doses de lirismo

Vou explicar.
Na fabico tem duas cadeiras onde produzimos revistas, as duas sob supervisão do professor Ungaretti: 3X4 e Sextante.

Fiz a 3X4 em 2007 e o texto você pode encontrar aqui. A Sextante eu fiz no segundo semestre do ano passado e o texto está aqui, agora, aí embaixo.

Mas espera, vou explicar o tema.
Enquanto na 3X4 o tema foi super empolgante, estranhezas, o tema da sextante foi o mais lame possível, perfis [sim, perfis, aquilo que você encontra até na caras].

Mas eu acho que consegui dar um viés interessante nesse tema: fiz um perfil, meio gonzo, de uma prostituta de luxo. Com direito a segurança cuidando as entrevistas, nada de fotos, nome e local de trabalho.

E para finalizar, esse texto não teria saído sem a ajuda de algumas pessoas anônimas, então, obrigada. Sem eles eu não teria entrevistado sem desenbolsar uma grana.

Em seguida, as páginas da Sextante escaneadas.
Mais abaixo, o texto original, antes dos cortes.




Pequenas doses de lirismo.

Qual a diferença entre o jornalismo e a poesia?
Algumas doses de lirismo.

E qual é a diferença entre a virgem e a prostituta?
Algumas doses de lirismo. Lirismo dos olhos de quem as lê.

No século XIX, Honoré de Balzac escreve "Ilusões Perdidas" e mostra uma sociedade em plena fase de transição. O jornalismo era [e não foi sempre?] a grande prostituta da literatura. O jornalismo era um meio de obter dinheiro fácil enquanto o escritor, a prostituta, vendia sua alma na espera de encontrar sua alma gêmea, a literatura. Lutando entre as páginas para esconder, em meio a pedaços da realidade, um pouco de lirismo.

"- Você liga então importância às coisas que escreve? - perguntou-lhe Vernou com ar de zombaria. - Mas nós somos negociantes de frases e vivemos de nosso comércio. Quando você quiser fazer uma grande e bela obra, um livro, enfim, poderá colocar nele os seus pensamentos, sua alma, amá-lo, defendê-lo; mas artigos, lidos hoje e amanhã esquecidos, esses não valem a meus olhos senão aquilo que por eles nos pagam".
(Trecho de Ilusões Perdidas, de Honoré de Balzac)

Já a prostituta de Balzac, vendia o corpo, mas nunca sua alma. A mulher prostituta, diferentemente do escritor prostituta, não era vítima. Ela podia extravazar todo seu lirismo por entre as pernas e bolsos de seus homens, sem esconder-se nem envergonhar-se jamais.

No século XXI, já não baixamos mais os olhos para a prostituição do jornalismo, pelo contrário, convivemos diariamente com ela, ao nosso lado. Mas e a outra prostituta?

Se o lirismo entre as pernas perdeu seu encanto você descobrirá por si só.

Mirian* abriu seus olhos para o mundo em maio de 1987, era uma tarde chuvosa em um hospital de Porto Alegre. Três pessoas olhavam amavelmente para o rosto redondo e os grandes olhos azuis que acabavam de abrir: o pai, a mãe e a irmã mais velha. Do hospital ela foi para a casa de 3 pisos na Zona Sul, olhou o jardim, a garagem, um outro carro na garagem, um cachorro, a TV, as escadas, o quarto roxo e o berço de madeira branca.

Os brinquedos, videogame, livros, filmes e roupas de grife vieram um tempo depois, junto com a matrícula na escola particular da mesma zona sul.

Mirian nunca precisou preocupar-se com nada. O lanche já estava pronto quando acordava, a empregada fazia o melhor café com leite do mundo. O banheiro tinha aquecimento. Com as roupas o único problema era na hora de escolher, eram muitas opções. A mãe, que era professora, dava carona até a escola. Os colegas gostavam das pessoas bonitas e ricas que, sempre, eram as mais populares. Os cabelos lisos e de um tom loiro escuro eram alvo de inveja e admiração. Os grandes olhos azuis ficavam maiores a cada ano, tamanha a atenção que provocavam. A pele cresceu sem conhecer mancha alguma. O corpo era aquele esquema: peito 90, cintura 60, quadril 90, distribuídos pelos seus 165 de altura, perfeito.

Ela cresceu com todas as facilidades e vantagens que qualquer garota pode querer e aos 14 anos conheceu um pouco de lirismo. Era um homem mais velho, 25 anos, publicitário. Óculos de armação invisível, olhos pretos, cabelo preto, barba preta. Vinha de São Paulo. Filho do amigo do pai. Aconteceu em casa, durante um jantar, na terceira vez em que eles se encontraram.

"Homens mais velhos, principalmente com gurias mais novas, tem segurança na transa. E experiência também. Nunca fiquei com homens mais novos, a partir desse dia eu tive certeza de que só queria homens mais velhos."

As amigas, que namoravam os garotos da escola, apresentavam para a família e andavam de mãos dadas pelo Parcão reclamavam da falta de jeito, da vergonha, de não ter orgasmos. Mirian não.

Apesar da pouco idade, para ela, não era difícil conhecer homens mais velhos, sua beleza precedia qualquer apresentação. A discrição permitia que ela continuasse sendo uma boa filha. A dedicação fazia dela uma boa aluna. E o sexo com homens mais velhos fazia dela uma muher feliz.

De tanto conhecer homens mais experientes, Mirian acabou convivendo naturalmente com pessoas mais velhas, o que, para seus pais, era motivo de orgulho, mostrava amadurecimento. Essa confiança dos pais fez com que ela começasse a frequentar a noite aos 16 anos. Em uma dessas noites, já com 17 anos, ela foi apresentada para um administrador, 32 anos, casado, 2 filhos, loiro, alto, olhos azuis, barba por fazer, óculos de armação invisível, lindo. Do restaurante eles foram para um pub, do pub para um apartamento e do apartamento para o hotel.

Na manhã seguinte, por entre os lençóis de linho branco, ela encontrou, além de suas roupas, duas notas de cem reais. Mas o administrador, 32 anos, casado, 2 filhos, loiro, alto, olhos azuis, barba por fazer, óculos de armação invisível, lindo, já não estava mais lá.

Ao contrário do que poderia acontecer com a maioria das mulheres, a garota de 17 anos não se sentiu ofendida. Não havia sentimento, a relação era física. Ela gostou. O dinheiro foi só mais um orgasmo. Vestiu-se, pegou os duzentos reais, colocou na carteira e seguiu em direção ao Shopping Iguatemi. Lá ela entrou em uma loja de roupas e gastou, na mesma hora, cem reais em uma blusinha.

Não que ela precisasse do dinheiro. Sua família sempre deu tudo que ela precisava. Inclusive amor e atenção. Da blusinha? Também não, seu guarda-roupas devia ter, no mínimo, umas 30 delas.

O que ela precisava era de.... Não sei, nem mesmo ela sabe hoje, aos 21 anos.
O fato é que esta garota passa uma tranquilidade e um domínio dificeis de encontrar em pessoas muito mais velhas e experientes.

"No dia seguinte resolvi contar para a Dani*, minha amiga, que na época tinha 23 anos. A Dani fez alguma piadinha sobre eu ser uma prostituta de luxo. Na hora eu ri."

Meses depois ela e seus grandes olhos azuis estavam diante de sua futura agente, ou cafetina, assinando um contrato de seis meses que lhe renderiam, pelo menos, 500 reais por semana no futuro.

"Para mim, sexo sempre foi algo muito simples. Nunca me envolvi emocionalmente com ninguém. Nunca sequer senti vergonha de ninguém. O simples ato já me dá prazer, independente da pessoa ser alta ou baixa, gorda ou magra."

Aos 18 anos essa garota linda, rica, boa aluna, amada pelos pais, admirada pelos colegas, graduanda em direito, entrava no mundo da prostituição. A prostituição, que sempre nos foi mostrada como algo tão feio e sujo - o submundo, das subpessoas, da subvida - para ela é lírico. Mas por que?

Para mim, foram altas doses de lirismo dos olhos dessa moça objetiva, sem entraves.

Ela não precisa de dinheiro, ela não precisa esquecer da realidade, ela não precisa de amor. Ela quer. Ela gosta. Ela é feliz.

Por fora Mirian tem cara de santa. Por dentro Mirian tem alma de puta.
Qual das duas você prefere ou quer ver?
Depende da sua dose de lirismo.

*nomes fictícios