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12 dezembro, 2010

Sobre o sexo

Enquanto isso, eu leio.
E só para fazer uma pausa um pouco maior do que , compartilho por aqui.

Direto de 'Alta Fidelidade', do Nick Hornby.


"[...] em algum ponto do percurso me lembrei do que é que eu gosto a respeito do sexo: o que eu gosto a respeito do sexo é que eu consigo me perder inteiramente nele. Na verdade, sexo é a atividade mais envolvente que descobri na vida adulta. Quando eu era criança, costumava me sentir assim com todo o tipo de coisa [...] podia esquecer onde estava, a hora do dia, com quem eu estava. Sexo é a única coisa assim que encontrei como adulto, com exceção de um ou outro filme: depois que você sai da adolescência os livros já não funcionam desse jeito, e com certeza nunca encontrei isso no meu trabalho.

[...] sexo é provavelmente a única coisa adulta que sei fazer; é estranho, então, que seja a única coisa que pode fazer com que eu me sinta com dez anos de idade."

A imagem é daqui.

05 dezembro, 2010

Walking

É normal sentir saudades de algo que tu nunca viveu, né?





21 julho, 2009

Bad winter

It's been a bad winter.
But not the worst.

[plastic bag on a lake, by me]

04 maio, 2009

Pessoal

Eu e a Fer (roommate) estávamos (e faz tempo) falando sobre blogs pessoais X blogs gerais e a Fer me falou: "Estamos em falta de gente que escreva bons blogs pessoais. Um que era muito boa era o da Clarah Averbuck, mas daí ela começou a namorar e parou de escrever. Blogs pessoais bons são aqueles das pessoas infelizes."

Não sei se vocês concordam com isso ou não, e minha intenção nem é argumentar contra ou a favor, até porque ainda não decidi. Só quero dissertar sobre e tirar isso da minha cabeça.

Nos blogs sobre assuntos "gerais" [e esse "gerais" inclui comunicação, cultura, moda, comportamento...] é bem fácil encontrar assunto repetido. Na minha pasta de feeds de comunicação, por exemplo, é bem comum um assunto reaparecer a cada 5 ou 6 posts que eu leio. E não acho que tenha nada de errado com isso, como o próprio nome diz, os assuntos são gerais, de domínio público e interessam a mais de uma pessoa no mesmo dia e, seguindo o caráter de blog: se me interessa, publico.

Mas é por esse mesmo motivo que a pasta "pessoais" dos meus feeds recebe uma atenção toda especial. Os mesmos assuntos podem até aparecer, mas em contextos que são únicos, em contextos que te fazem lembrar de experiências, em contextos que te coram, em contextos que te forçam uma vontade de ser mais corajoso.

Os blogs pessoais mexem comigo. E eu dou atenção a cada mísera palavra que existe neles. Por mais que eu me obrigue a assinar feeds de grandes conglomerados das mídias sociais [informação para o trabalho e conversas efêmeras de boteco], o que eu gosto mesmo são os gatos perdidos pelas esquinas dessa ou de outra cidade que contam sobre um anseio, uma desilusão, uma transa, um porre. Esses sim fazem todo o sentido.

E então eu percebi que o meu blog não era "para mim" já fazia algum tempo. Sempre teve opinião, sempre teve um pouquinho das minhas loucuras pessoais, mas estava faltando em sinceridade. E por quê?

Por que eu estava feliz.

E então eu acho que a Fer estava certa?
Talvez.

O que eu acho é que basta uma simples coisinha te desapontar para que tu pense mais a fundo e descubra um caminhão de coisas que estavam erradas e tu simplesmente não percebia. E o primeiro passo depois de descobrir isso tudo é dar uma passadinha aqui no blog, ficar mais íntima, mais pessoal e mandar à merda quem não entende que blog é blog porque eu escrevo o que quero.

E eu espero que isso faça algum sentido fora da minha cabeça.

Alguns blogs pessoais [com pitadas gerais] que eu acompanho:
Eu, cocinela
Porão e Sótão
Liliane Ferrari
E os idiotas descobriram que são em maior número
A vida mata a pau
Poderosa Afrodite
In the Flesh
Cabana Ranzinza
Contraditorium
Don't touch my moleskine
Não 2 Não 1
É tudo puta

27 abril, 2009

25 abril, 2009

A escolha

Sempre defendi e sempre vou defender a ESCOLHA de fazer aborto. Minha consicência me permite e não acredito em religião. A única coisa que me falta é a Lei. Não pretendo discorrer sobre o assunto, acho que a Bruna o fez super bem aqui e aqui. E concordo com ela em todos os argumentos utilizados.

O que me faz escrever esse post são duas coisas.
A ONG Women on Web, uma dica da mesma Bruna, e o primeiro comercial sobre a pílula do dia seguinte, veiculado no Reino Unido, nesta semana.

O primeiro trata-se de uma organização holandesa que faz consultas online, dá informações e fornece aborto por meio de medicamentos a mulheres de países onde o aborto é proibido, nosso caso. Um aborto com comprimidos é seguro, segundo a ONG, e semelhante a um aborto espontâneo. Todo o processo [até mesmo para aqueles que só querem testar mas não tem a intenção de adquirir nada no momento] pode ser conferido neste link.


Já o segundo, o comercial (abaixo), é da Bayer do Reino Unido para o medicamento Levonelle One Step e teve sua veiculação liberada somente após às 21 horas. A polêmica acerca disso já começou. Instituições como a Igreja, grupos de pais e ativistas pró-vida já estão querendo a proibição do filme.

Aqui no Brasil foi regulamentada em 2000 pela Anvisa a veiculação de material publicitário somente dos remédios isentos de prescrição médica, nos quais enquadam-se as pílulas do dia seguinte. Mas duvido muito que as empresas farmacêuticas que atuam aqui sequer cogitem a ideia.

Acredito no livre arbítrio e, principalmente, na inteligência de não usar a pílula do dia seguinte [e também o aborto] como um método contraceptivo. Mas daí vamos cair na ladainha de que nem todos tem o mesmo acesso à informação e eu acho essa discussão realmente desnecessária.

No mais, o importante por ora é divulgar essas duas ações para nós, que temos acesso a esse tipo de informação.

O comercial do Levonelle One Step.

17 abril, 2009

Para que servem os blogs?

O meu funciona para desabafos.

Quase 6 anos e meio morando em Porto Alegre. Assaltada pela segunda vez hoje. Não consigo dormir pensando em tudo que poderia ter feito e que na hora não fiz. Parece que a gente sempre tem mil e uma alternativas para situações como estas, pelo menos eu tinha. E sempre soube me defender muito bem, de tudo. Mas chega a hora em que simplesmente tudo some e tu se sente uma coitada indefesa que não quer mais sair de casa.

Sempre disse que acho melhor ser assaltada em Porto do que em Bento [e que triste ter que fazer uma afirmação assim] porque, em Bento, cidade pequena, é fácil encontrar o teu assaltante pela rua, por isso existe a intimidação. Meu pai foi assaltado por lá, parou no hospital. Além de machucados pelo rosto, teve um braço quase quebrado. Em Porto Alegre a situação é diferente, eles tiram tudo que puderem o mais rápido que puderem e saem correndo [pelo menos foi assim que aconteceu comigo, nas duas vezes].

Hoje puxaram e arrebentaram minha bolsa. Foram um tanto infelizes, ficaram com 2 reais, um colírio que estava acabando, um estojo de lentes de contato, 4 tridents e 4 cigarros. Mas não é por isso que eu fico com menos raiva. E a raiva tem rosto. Todos os detalhes desse rosto.

Mas o que eu tiro disso são duas coisas.
Duas coisas apenas que não vão mudar amanhã quando a raiva passar.

Graças aos dois assaltos eu tenho preconceito de quem usa calça larga "olha minha cueca", moleton/camiseta larga, boné e que venha caminhando na minha direção pela noite. É pegar a parte pelo todo? Certamente. Mas o que somos nós se não impressões pessoais? O que seria de mim sem associações? Ainda estaria colocando terra na boca.

Segundo, se um dia fui meio hiponga e defendia os direitos humanos em qualquer situação, sinto muito, duas pessoas me fizeram mudar de ideia. E nem sei o nome delas. Posse de armas? Sou a favor. Violência? Alguns merecem.

Agora enfim entendo porque, a medida que as pessoas envelhecem, elas vão ficando menos intolerantes com alguns tipos de atitudes "direitosas".

TOMARA QUE VOCÊS DOIS MORRAM!
E QUE SEJA DOLOROSO.

Chega logo, cidadania italiana. O Brasil tem lixo.

09 abril, 2009

Smoke, please.

Marcello Mastroianni

A Assembleia Legislativa de São Paulo aprovou na última terça um projeto de lei banindo cigarros e seus derivados em todo e qualquer ambiente coletivo fechado.

Entram na lista de proibição bares, boates, restaurantes, hotéis, pousadas, áreas comuns de condomínios, casas de show, shoppings, ginásios esportivos e estádios, todas as repartições públicas, hospitais e até carros de polícia e táxis. Os ambientes livres para os fumantes acenderem seus cigarros ficaram restritos à casa e à rua.

Ainda falta a sanção do governador do estado de SP, o que vai acontecer, uma vez que ele é o criador da proposta (José Serra), e então a lei propriamente dita entrará em vigor em 90 dias.

Só para deixar bem claro, o fumante que for pego infringindo a lei não será punido, mas sim o dono do estabelecimento no qual estava fumando.

Infos do CCSP.

Não quero entrar no mérito da lei ser boa ou não, sou fumante e obviamente iria gostar de ficar fumando onde eu bem entender, mas entendo o lado de quem não é fumante e imagino que deva ser um saco. Assim como vai ser um saco para os fumantes no futuro, que terão que parar de fumar ou terão que se retirar até o lado de fora dos estabelecimentos para alimentar o vício [e quero só ver como as casas noturnas vão lidar com isso]. E, na boa, quem está acostumado a fumar como eu, não consegue passar uma festa inteira sem fumar.

Será que os índices das home parties vão aumentar ainda mais?
Por mim, sim.




Para finalizar, fotos da época em que fumar era
"fumar é uma maneira sutil, e disfarçada de suspirar"
[Quintana].


Sean Connery


Audrey Hepburn


Clint Eastwood


Sophia Loren

Marylin Monroe


UPDATE: Acabei de ver nos meus feeds que o don't touch my moleskine tem um post um tanto parecido, postado bem antes que o meu. Coincidência, juro. Tá aqui o link.

08 abril, 2009

She's like a rain bow






she comes in colors everywhere
she combs her hair
she's like a rainbow
coming, colors in the air
oh, everywhere





E já vimos aqui:



Anúncio lindo e bem cute.

30 março, 2009

Guriazinha MODE ON

Foram divulgados dois pôsteres, por enquanto, de New Moon, a sequência de Twilight, que entrará em cartaz no final do ano.

E daí?
E daí que é isso:



Morri.
Momento guriazinha MODE OFF.

Vi no Judão.

29 março, 2009

Hora do planeta FAIL


Publiquei no meu twitter ontem que não iria aderir à hora do planeta. Que achava uma palhaçada, “pão e circo”, que não provocaria mudanças reais e que preferia tomar atitudes todos os dias. Obviamente recebi vários replies. Alguns tentando convencer, outros simplesmente falando que não concordavam com sólidas argumentações, alguns outros xingando mas, principalmente, tive vários unfollows.

Depois disso achei que a palhaçada, que tanto mobilizou comentários, merecia um post. E antes de começar o meu post propriamente dito, quero indicar outros 3 textos muito bons sobre o assunto: o do Cardoso, o da Paula e o do Carlos.

Primeiramente, acho que essa campanha é mais buzz do que consciência. Ouvimos falar em “desligue suas luzes por uma hora para ajudar o planeta”. Tá, e depois? É só isso e tá feito? Humm, parece fácil. E pronto, amanhã todo mundo fica aliviado da culpa e volta a utilizar o carro para ir até o armazém, a ligar o ar condicionado para dormir, usar lava-louças, máquina de lavar para duas ou três peças. Foi só uma pequena ação que te deixou com a consciência tranquila, só. Usando as palavras do Carlos Hotta “Porque as pessoas que irão apagar as luzes por uma hora hoje, em uma atitude que faz mais as pessoas se sentirem bem do que o planeta em si, vão se sentir ecologicamente superiores a mim, que ignorarei e mal-humoradamente a ação.”

PERIOD.


Segundo, por que, ao invés de fazer uma campanha tão grande e facilmente mobilizadora, não se preocupar em mudar compotamentos reais? Na minha opinião? Não geraria tanta falação para a WWF. Não existe conscientização, só publicidade. Não tem valor real nenhum, só simbologia.

Que tal um pouco de pensamento crítico? A minha impressão foi que todos foram lá, apagaram suas luzes como um rebanho de ovelhas que nada pensa. Nada contra quem participou, mas essa decisão foi consciente? Teve um pensamento por tras disso? Ou tu apagou as luzes porque mandaram?

PERIOD.


E, por último, já pensou nos picos de luz? Como o Cardoso ressalta em seu texto, essa ação “Significa DOIS picos sobrecarregando os circuitos, queimando transformadores, torres de transmissão e subestações pelo país inteiro, em um efeito-cascata que transformará a hora da terra em Semana do Blecaute. “

PERIOD.


Finalizando: para mim, essa ação nada mais foi do que uma tentativa dos não conscientizados se sentirem melhores consigo mesmo. É mais uma tentativa de “se mostrar”, que muito me lembrou o espírito bento-gonçalvense de ir na missa aos sábados para mostrar a roupa nova e fazer uma social. Ninguém está lá porque realmente se importa. [E eu não sou nada religiosa, só para deixar bem claro].

E quanto aos eco-chatos, já deixei bem claro o que penso nesse texto aqui.

Enfim, a hora do planeta não passa de consumo disfarçado, é discurso e não ação. E se eu decidi tomar banho na hora do planeta só tenho algo a dizer: eu faria isso invariavelmente em qualquer outro momento do dia, mas duraria os mesmo 15 minutos [com shampoo, condicionador, sabonete, pedra-pomes, gilete e óleo]. E isso só depende de mim.



Todas as imagens são do Gettyimages.

26 fevereiro, 2009

Am I romantic?

Am I romantic?


Probably not.
I just know that I rather feel all those feelings.

17 fevereiro, 2009

Make mistakes - parte...

É como naquela música do MGMT, mas num contexto bem diferente.

You were a child
Crawling on your knees toward it...

...We like to watch you laughing
Picking insects off plants

No time to think of consequences.

E eu só gosto dos contextos que me interessam.

12 fevereiro, 2009

E então?


Parei nisso hoje.
Durante minutos.
E não conseguiria pensar um uma maneira de escrever melhor.

Um fala que você é especial, que tem certos sentimentos por você, que está torturado, que não consegue dormir. Está confuso.

O outro diz que gosta de você e quer te comer. Vem e come. E não fala mais nada. E dorme te abraçando a noite toda.
[Liliana Pellegrini]

Acontece que o primeiro, apesar de indeciso, está falando a verdade.
E o segundo, apesar de certeiro, está mostrando. E o mostrar é sempre mais duvidoso.

Qual deles então?

08 fevereiro, 2009

I wanna do bad things with you.

Um pouco de maldade, um pouco de espera pela próxima temporada de True Blood e um pouco de um final de semana acampando.


When you came in the air went out.
And every shadow filled up with doubt.
I don't know who you think you are,
But before the night is through,
I wanna do bad things with you.

I'm the kind to sit up in his room.
Heart sick an' eyes filled up with blue.
I don't know what you've done to me,
But I know this much is true:
I wanna do bad things with you.

When you came in the air went out.
And all those shadows there filled up with doubt.
I don't know who you think you are,
But before the night is through,
I wanna do bad things with you.
I wanna do real bad things with you.
Ow, ooh.

I don't know what you've done to me,
But I know this much is true:
I wanna do bad things with you.
I wanna do real bad things with you.

21 dezembro, 2008

Smoking in bed

I miss the smoking in bed
The beer cans on the floor
Our clothes on the floor
The cat playing with your socks
The cat jumping on the bed

But wath I miss the most is the smoking in bed
And the blue on your eyes

06 dezembro, 2008

Fragile dreams

Pela primeira vez havíamos conseguido juntar todo mundo. Pela primeira vez havíamos conseguido ir para um lugar decente. Pela primeira vez estávamos pagando um hotel fantástico, uma cobertura.

O que acontece que minhas coisas nunca conseguem ficar PERFEITAS, hein?
Sonho demais? Sonho alto demais?

Vou contar como tudo começou.
Chegamos pela madrugada, todos bem cansados para fazer algo além de abrir as malas, juntar apetrechos de higiene, pijama e escolher uma cama para dormir. Enquanto o resto já estava naquele terceiro sono eu ainda me perguntava onde tinha errado por ter que dividir uma cama comigo mesma dessa vez. Essa viagem tinha tudo para ser perfeita, mas na última ele estava lá, tornando tudo diferente.

Pela manhã, depois de um sono meia-boca, acordei e vi que lá fora ainda estava escuro. Na mesa de cabeceira tinha um papel violeta escrito em preto. E esse último repetia-se ao lado das demais camas do local. Aos poucos um a um foi acordando e foi quando eu tive coragem de ler aquelas linhas escuras.

“Bem vindos ao jogo. Por enquanto aconselho que todos preocupem-se em encontrar comida, aumentar a resistência e torcer para que as quests sejam agradáveis.”

WTF? Isso por acaso é uma brincadeirinha pelo meu atual estado de nerdice?
Não. Todos os papéis violeta tinham a mesma mensagem. E nada do dia clarear do lado de fora.

Resolvemos sair e encontramos um cenário bem diferente daquele que imaginávamos ter visto da noite anterior nublada pelo sono. Tudo estava encantadoramente destruído. Casas abandonadas, prédios no chão, vegetação morta e o que parecia ser uma espécie de mortos-vivos passeando vagamente pelo cenário. Mas também tinha o seu ar bucólico e onírico. O ar era azul, as sombras dançavam, a bruma tinha cheiro e cor de lavanda. No meio dos prédios destruídos surgiam flores de todos os tons do espectro de cores frias. Faltava a sensação de segurança, mas parecia que eu já estava acostumada com isso. No último ano eu havia sido adepta da destruição e dos seus toques de beleza.

De repente notamos que nossa primeira quest passava pela derrota do grande grupo de mortos-vivos que vinha em nossa direção. Tentando contê-los descobri que possuia o poder de tirar suas forças pelas mãos, mas meu poder era fraco demais para lutar contra todos eles.

No meio dessa sensação de WOW [o jogo] eis que surge uma criatura muito mais poderosa, muito maior que os demais, cheia de correntes, sua pele era azul. Eu sabia que não estava preparada para aquilo, não na vida real, que vai além dos botões do teclado. E eu já podia ver o rosto maliciosamente sorridente do criador desse jogo.

Então surge do meio das ruínas aquele cara loiro, alto, olhos claros e túnica verde. A única imagem da minha vida associada ao amor. Em alguns segundos ele contém as criaturas, me pega pelo braço e então corremos para o alto através de uma ponte destruída. Esse caminho era iluminado por abajures de todos os tipos e cores.

Quando alcançamos o topo, tudo parecia ter voltado ao normal. Era um local seguro. De repente eu era apenas uma garota, infantil, que podia passar o resto da vida naqueles braços, esquecer do mundo, largar tudo e ainda assim ser feliz.
Caminhamos abraçados até o hotel, onde tentamos procurar pelas chaves do quarto em meio à bagunça.

Depois de um tempo o resto do pessoal acabou nos deixando sozinhos, eu e ele.
Ficamos abraçados durante longos minutos sem dizer sequer uma palavra, somente curtindo nosso reencontro.

Mas eu tive que tomar a iniciativa.
Ele parecia seguro, afinal, aquela era uma situação para a qual ele havia se preparado durante toda a vida [mesmo que intencional], era um campo no qual ele sabia andar muito melhor que qualquer um de nós.
Mas eu tive que tomar a iniciativa [e não fiz isso sempre?].


- Hey, o que vamos fazer agora? Como ficamos nós dois?
- ...
- É estranho e normal te ter aqui do meu lado, não sei o que fazer.
- ...
- O jeito que eu fico quando estou contigo. Só tu é capaz de derrubar esse muro que eu contruí ao meu redor. Só uns minutos contigos e minhas pernas já esquecem por onde eu preciso andar, minhas mãos sentem, minha voz pensa e minha cabeça esquece de usar as pessoas.
- ...
- Não sei como tu faz, mas eu fico sentimental [a primeira lágrima], começo a me importar com tudo, sentir tudo, chorar. Não sei se é melhor pra mim, só sei que aqui dentro parece que tudo de repente funciona.
- Não sei o que a gente vai fazer agora, evitei pensar sobre isso. Esse momento simplesmente aconteceu.
- Sabe por que eu sempre tinha medo toda vez que tu saia da minha casa? Tentando sempre te segurar por lá um pouco mais?
- Fala.
- Eu sempre pensava em como seria minha vida se tu não voltasse. Eu não queria ficar sem ti.
- Mas eu sempre voltava, né?
- Sim, sempre.
- Então acho que não importa se eu saio, tu sabe que eu sempre volto. Tu sabe como as coisas funcionam com a gente.
- Mas e agora? O que a gente faz?
- Vamos ficar juntinhos por enquanto.

E assim nós ficamos, nús, juntinhos, abraçados até a hora em que um de nós tivesse que ir embora.
[Ao som de “A kiss to remembre”, My dying bride].


1.Isso foi um sonho, caso não tenha percebido.
2.Um ano de terapia em duas horas de sono.
3.Resgate do passado.
4.Previsão de futuro?
5.Pode ser baseado na mistura de vários itens da vida real. Com lógica ou não.
6.Me fez pensar o que o muro tinha adiado para o ano que vem.
7.Não sei o que eu faço.

27 outubro, 2008

Semiótica e Semântica



Signo, ícone, índice, significado, discurso, blá, blá, blá.


Nah, eu só postei porque achei bacaninha.
Foi o Carlos, o carinha que trabalha com o Pinky lá na Escala, quem fez.

22 setembro, 2008

Agora. E sem mimimi.

E eu que sempre tinha ouvido falar do momento breakthrough.
Àquele. No qual a existência ganha um algo a mais, além do apenas "existir".
E eu que sempre lembrava nunca ter tido nenhum.



Pois eis que neste ano eu tive dois.

O primeiro foi perder o cara que eu mais gostei para a Alemanha.
Depois disso eu adotei o pensamento Fuck it. Com raras exceções, que se limitam aos meus pais, alguns poucos amigos e o dito cujo que encontra-se na Alemanha, eu quero mais é que todos se fodam. O que importa é o que eu quero, quando eu quero, como eu quero, doa a quem doer. Eu estou feliz. PERIOD. E mais, quase um mantra, that's life, deal with that.

A segunda foi ter entrado na DCS.
Não conhecia absolutamente ninguém. Não fazia nenhuma idéia de qual seria o meu trabalho por lá e, pela primeira vez, estava entrando em um território do qual eu sabia bulhufas. E foi importante porque eu descobri que eu sabia várias lhufas, que eu sei sim ocupar o meu espaço [e muito bem] e que, pela primeira vez em toda minha vida, eu estou acordando com gosto [e muito gosto], às 8 da madrugada para ir trabalhar. Quem conhece o quarto roxo sabe o quanto isso quer dizer.

Então, [e eu acho que isso é um conselho] pensem em 2 coisas, sempre:

1. Minha vida é minha vida. Só interessa o que ou outros estão pensando se isso, de alguma forma, interfere na sua consciência. Eu não estou aqui para curar insegurança de ninguém.

2. Arrisque, sempre. Nunca conheci ninguém que tivesse algum arrependimento agindo dessa forma. A vida fica bem mais interessante quando a gente FAZ e não apenas DIZ QUE FAZ. E também nunca conheci um erro que não fosse absolutamente interessante.


A vida acontece agora. E sem mimimi.

Quando os mimimis começarem a tomar proporções maiores do que merecem, você vai começar a ver a vida passando.
Sem mãos, sem pernas. Sem ruídos. Só um borrão que não tem nem cor.