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12 dezembro, 2010

Sobre o sexo

Enquanto isso, eu leio.
E só para fazer uma pausa um pouco maior do que , compartilho por aqui.

Direto de 'Alta Fidelidade', do Nick Hornby.


"[...] em algum ponto do percurso me lembrei do que é que eu gosto a respeito do sexo: o que eu gosto a respeito do sexo é que eu consigo me perder inteiramente nele. Na verdade, sexo é a atividade mais envolvente que descobri na vida adulta. Quando eu era criança, costumava me sentir assim com todo o tipo de coisa [...] podia esquecer onde estava, a hora do dia, com quem eu estava. Sexo é a única coisa assim que encontrei como adulto, com exceção de um ou outro filme: depois que você sai da adolescência os livros já não funcionam desse jeito, e com certeza nunca encontrei isso no meu trabalho.

[...] sexo é provavelmente a única coisa adulta que sei fazer; é estranho, então, que seja a única coisa que pode fazer com que eu me sinta com dez anos de idade."

A imagem é daqui.

10 junho, 2009

O sexo das esferográficas

É assim:

SEx from Alvaro C on Vimeo.



O vídeo foi feito por esse tal de Alvaro C, que foi meio tosquinho e não colocou nada de informação no profile dele. De qualquer forma, é daquela série de coisas tão originais e geniais que tu te sente uma anta por não ter pensado nisso antes.

Vi aqui.
Dica, vale a pena ver o outro vídeo lá no profile do cara.

28 abril, 2009

WLTF?

Às vezes [em raras vezes] a Revista VOID aparece com alguma coisa interessante.
A última edição foi uma delas. E contribuiu até para seguir com essa vibe [!?] pornográfica do blog, que daqui a pouco vai ter um daqueles avisos “você tem certeza de que quer continuar nesse blog feio, bobão e malvado?”.
[stupid joke mode OFF]

Conheçam o WLTF.

WLTF [Would like to fuck] é um projeto fotográfico independente, cuja curadoria e divulgação é feita por Rodrigo Novaes, artista plástico brasileiro radicado em Londres.

Por enquanto a galeria/rede/plataforma/publicação de imagens eróticas é apenas online, mas com intenções de ser publicada em papel, como revista.

Segundo Rodrigo Novaes o WLTF é:
"Desejo sexual que foge do apenas pornográfico. Expressão subjetiva dos desejos interiores, das leituras que a justaposição de imagens e ideias pode gerar."

A publicação é trimestral e colaborativa. Rodrigo coleta imagens da internet, com autorização dos donos e, em 6 meses de vida, a revista já atraiu colaboradores de todo o mundo.

Quer ver mais? Vai aqui.
Quer contribuir? Vai aqui.

I WLTF... Wouldn't you?

03 abril, 2009

Pequenas doses de lirismo

Vou explicar.
Na fabico tem duas cadeiras onde produzimos revistas, as duas sob supervisão do professor Ungaretti: 3X4 e Sextante.

Fiz a 3X4 em 2007 e o texto você pode encontrar aqui. A Sextante eu fiz no segundo semestre do ano passado e o texto está aqui, agora, aí embaixo.

Mas espera, vou explicar o tema.
Enquanto na 3X4 o tema foi super empolgante, estranhezas, o tema da sextante foi o mais lame possível, perfis [sim, perfis, aquilo que você encontra até na caras].

Mas eu acho que consegui dar um viés interessante nesse tema: fiz um perfil, meio gonzo, de uma prostituta de luxo. Com direito a segurança cuidando as entrevistas, nada de fotos, nome e local de trabalho.

E para finalizar, esse texto não teria saído sem a ajuda de algumas pessoas anônimas, então, obrigada. Sem eles eu não teria entrevistado sem desenbolsar uma grana.

Em seguida, as páginas da Sextante escaneadas.
Mais abaixo, o texto original, antes dos cortes.




Pequenas doses de lirismo.

Qual a diferença entre o jornalismo e a poesia?
Algumas doses de lirismo.

E qual é a diferença entre a virgem e a prostituta?
Algumas doses de lirismo. Lirismo dos olhos de quem as lê.

No século XIX, Honoré de Balzac escreve "Ilusões Perdidas" e mostra uma sociedade em plena fase de transição. O jornalismo era [e não foi sempre?] a grande prostituta da literatura. O jornalismo era um meio de obter dinheiro fácil enquanto o escritor, a prostituta, vendia sua alma na espera de encontrar sua alma gêmea, a literatura. Lutando entre as páginas para esconder, em meio a pedaços da realidade, um pouco de lirismo.

"- Você liga então importância às coisas que escreve? - perguntou-lhe Vernou com ar de zombaria. - Mas nós somos negociantes de frases e vivemos de nosso comércio. Quando você quiser fazer uma grande e bela obra, um livro, enfim, poderá colocar nele os seus pensamentos, sua alma, amá-lo, defendê-lo; mas artigos, lidos hoje e amanhã esquecidos, esses não valem a meus olhos senão aquilo que por eles nos pagam".
(Trecho de Ilusões Perdidas, de Honoré de Balzac)

Já a prostituta de Balzac, vendia o corpo, mas nunca sua alma. A mulher prostituta, diferentemente do escritor prostituta, não era vítima. Ela podia extravazar todo seu lirismo por entre as pernas e bolsos de seus homens, sem esconder-se nem envergonhar-se jamais.

No século XXI, já não baixamos mais os olhos para a prostituição do jornalismo, pelo contrário, convivemos diariamente com ela, ao nosso lado. Mas e a outra prostituta?

Se o lirismo entre as pernas perdeu seu encanto você descobrirá por si só.

Mirian* abriu seus olhos para o mundo em maio de 1987, era uma tarde chuvosa em um hospital de Porto Alegre. Três pessoas olhavam amavelmente para o rosto redondo e os grandes olhos azuis que acabavam de abrir: o pai, a mãe e a irmã mais velha. Do hospital ela foi para a casa de 3 pisos na Zona Sul, olhou o jardim, a garagem, um outro carro na garagem, um cachorro, a TV, as escadas, o quarto roxo e o berço de madeira branca.

Os brinquedos, videogame, livros, filmes e roupas de grife vieram um tempo depois, junto com a matrícula na escola particular da mesma zona sul.

Mirian nunca precisou preocupar-se com nada. O lanche já estava pronto quando acordava, a empregada fazia o melhor café com leite do mundo. O banheiro tinha aquecimento. Com as roupas o único problema era na hora de escolher, eram muitas opções. A mãe, que era professora, dava carona até a escola. Os colegas gostavam das pessoas bonitas e ricas que, sempre, eram as mais populares. Os cabelos lisos e de um tom loiro escuro eram alvo de inveja e admiração. Os grandes olhos azuis ficavam maiores a cada ano, tamanha a atenção que provocavam. A pele cresceu sem conhecer mancha alguma. O corpo era aquele esquema: peito 90, cintura 60, quadril 90, distribuídos pelos seus 165 de altura, perfeito.

Ela cresceu com todas as facilidades e vantagens que qualquer garota pode querer e aos 14 anos conheceu um pouco de lirismo. Era um homem mais velho, 25 anos, publicitário. Óculos de armação invisível, olhos pretos, cabelo preto, barba preta. Vinha de São Paulo. Filho do amigo do pai. Aconteceu em casa, durante um jantar, na terceira vez em que eles se encontraram.

"Homens mais velhos, principalmente com gurias mais novas, tem segurança na transa. E experiência também. Nunca fiquei com homens mais novos, a partir desse dia eu tive certeza de que só queria homens mais velhos."

As amigas, que namoravam os garotos da escola, apresentavam para a família e andavam de mãos dadas pelo Parcão reclamavam da falta de jeito, da vergonha, de não ter orgasmos. Mirian não.

Apesar da pouco idade, para ela, não era difícil conhecer homens mais velhos, sua beleza precedia qualquer apresentação. A discrição permitia que ela continuasse sendo uma boa filha. A dedicação fazia dela uma boa aluna. E o sexo com homens mais velhos fazia dela uma muher feliz.

De tanto conhecer homens mais experientes, Mirian acabou convivendo naturalmente com pessoas mais velhas, o que, para seus pais, era motivo de orgulho, mostrava amadurecimento. Essa confiança dos pais fez com que ela começasse a frequentar a noite aos 16 anos. Em uma dessas noites, já com 17 anos, ela foi apresentada para um administrador, 32 anos, casado, 2 filhos, loiro, alto, olhos azuis, barba por fazer, óculos de armação invisível, lindo. Do restaurante eles foram para um pub, do pub para um apartamento e do apartamento para o hotel.

Na manhã seguinte, por entre os lençóis de linho branco, ela encontrou, além de suas roupas, duas notas de cem reais. Mas o administrador, 32 anos, casado, 2 filhos, loiro, alto, olhos azuis, barba por fazer, óculos de armação invisível, lindo, já não estava mais lá.

Ao contrário do que poderia acontecer com a maioria das mulheres, a garota de 17 anos não se sentiu ofendida. Não havia sentimento, a relação era física. Ela gostou. O dinheiro foi só mais um orgasmo. Vestiu-se, pegou os duzentos reais, colocou na carteira e seguiu em direção ao Shopping Iguatemi. Lá ela entrou em uma loja de roupas e gastou, na mesma hora, cem reais em uma blusinha.

Não que ela precisasse do dinheiro. Sua família sempre deu tudo que ela precisava. Inclusive amor e atenção. Da blusinha? Também não, seu guarda-roupas devia ter, no mínimo, umas 30 delas.

O que ela precisava era de.... Não sei, nem mesmo ela sabe hoje, aos 21 anos.
O fato é que esta garota passa uma tranquilidade e um domínio dificeis de encontrar em pessoas muito mais velhas e experientes.

"No dia seguinte resolvi contar para a Dani*, minha amiga, que na época tinha 23 anos. A Dani fez alguma piadinha sobre eu ser uma prostituta de luxo. Na hora eu ri."

Meses depois ela e seus grandes olhos azuis estavam diante de sua futura agente, ou cafetina, assinando um contrato de seis meses que lhe renderiam, pelo menos, 500 reais por semana no futuro.

"Para mim, sexo sempre foi algo muito simples. Nunca me envolvi emocionalmente com ninguém. Nunca sequer senti vergonha de ninguém. O simples ato já me dá prazer, independente da pessoa ser alta ou baixa, gorda ou magra."

Aos 18 anos essa garota linda, rica, boa aluna, amada pelos pais, admirada pelos colegas, graduanda em direito, entrava no mundo da prostituição. A prostituição, que sempre nos foi mostrada como algo tão feio e sujo - o submundo, das subpessoas, da subvida - para ela é lírico. Mas por que?

Para mim, foram altas doses de lirismo dos olhos dessa moça objetiva, sem entraves.

Ela não precisa de dinheiro, ela não precisa esquecer da realidade, ela não precisa de amor. Ela quer. Ela gosta. Ela é feliz.

Por fora Mirian tem cara de santa. Por dentro Mirian tem alma de puta.
Qual das duas você prefere ou quer ver?
Depende da sua dose de lirismo.

*nomes fictícios

17 março, 2009

Why is it so hard to talk about sex?






As fotos são de Helmut Newton, alemão nascido em 1920.

Breve histórico:
Por volta dos 8 anos, o irmão mais velho de Helmut passou a mostrá-lo o submundo de Berlin, o bairro das prostitutas. Em 1936 tornou-se fotojornalista. Quando o nazismo tomou conta da Alemanha, ele, judeu, fugiu para Singapura e trabalhou em um jornal local. Mais tarde, na década de 40, mudou-se para a Austrália e lá começou a fotografar para a Vogue. Da década de 50 até a década de 80, fotografou para a Vogue Francesa e outras revistas como: Elle, Marie Claire, Queen, Nova, Playboy, Stern, US e Italian Vogue. Publicou seu primeiro livro em 1976, 'White Women', reunindo suas melhores fotos. Já ganhou inúmeros prêmios.



Se a vida dele foi repleta de glamour? Certamente.
A inspiração do seu trabalho? Para mim, tem toda a aura das visitas que o irmão acompanhou aos 8 anos. A beleza do desconforto.

A beleza é violenta.

It is so hard to talk about sex because there's no sex without violence.

13 março, 2009

Altporn

A Playboy deste mês fez uma matéria super boa sobre Altporn.
Para os que não sabem, Altporn é um gênero de pornô que foge do convencional, inspirado na cultura underground. Piercings, tatuagens, cabelos coloridos, peles branquinhas, ou seja, tudo que rompe com aquele padrão plástico com o qual já estamos acostumados.

O mais legal do Altporn é que ele tem um estilo quase caseiro [quase] e amadores podem participar. Sexo e rock'n'roll, sendo o mais clichê possível.

Aqui no Brasil vale a pena conferir o trabalho da XPlastic e do Queer Fiction [do qual eu já falei bastante aqui].

Sem mais enrolação, aproveitem a matéria.






21 dezembro, 2008

Smoking in bed

I miss the smoking in bed
The beer cans on the floor
Our clothes on the floor
The cat playing with your socks
The cat jumping on the bed

But wath I miss the most is the smoking in bed
And the blue on your eyes

23 novembro, 2008

Sobre os lanchinhos

Acho incrível como certos textos, digamos, pessoais, possam informar mais do que alguns textos, digamos, informativos.

Penso isso sempre que leio os posts da Bel [AOE], do Papo de Homem [os que não são jabá] e os textos sobre os famosos lanchinhos do Cafa. Impossível não ter alguma reflexão baseada nas experiências alheias. Impossível não querer pegar um Cafa e não querer ter uma noite de Bel. Pegar um Cafa sendo uma Bel então...

A reflexão de hoje [e de tantos outros dias] é sobre os lanchinhos femininos. E acho que falta coragem de falar sobre os lanchinhos femininos.
Até então.
Agora?
Sim?
Acho que foi.

Apesar de todo o blá blá blá da pós-modernidade [tão bonito isso] todo mundo sabe que existe uma divisão entre mulher pra comer e mulher pra casar. Ninguém escapa. Nem as mulheres mais, digamos, de novo, desenvolvidas, estão imunes a fazer comentários discriminatórios sobre sexo - sem compromisso - estou com vontade.

Por isso que é tão difícil para nós mulheres termos e falarmos sobre os nossos lanchinhos. No máximo alguns poucos amigos, aqueles bem próximos, vão ter o deleite de degustar algum comentário ácido sobre uma transa, um tamanho [ou a falta dele], um jeito, um olhar insistente, uma bela pegada. E mesmo entre esses poucos amigos bem próximos é bem comum ouvir algum comentário do tipo “troféu”. E vai você fazer-se entender, como animal que é, que está apenas suprindo uma de suas necessidades básicas que, thanks to the dear devil, você pode e quer fazer.

Mais difícil do que lidar e não se importar com aqueles que não entendem, é fazer-se entender para os seus lanchinhos [que, na verdade, nada mais são do que parte dos não entendedores]. Porque a maioria dos homens lanchinho, apesar de conviverem muito bem com a existência das mulheres lanchinho, não conseguem admitir o fato de que são lanchinhos. Calma, eu vou explicar melhor.

Ninguém está livre de se apaixonar por alguém cuja intenção inicial era apenas sexual. Isso acontece mais com as mulheres [e não é estatística, é baseado em depoimentos de amigas, conhecidas e etecétera], mas nada impede que também aconteça com os homens.

O problema todo está nessa não-estatística. Já que a grande maioria das mulheres com as quais convivemos apaixona-se mais facilmente pelos seus fuck-buddies, a maioria dos homens acredita que vai acontecer com eles também, e que nenhuma mulher é capaz de transar sem sentimentos. E daí, para fazê-los entender que, de fato, eles são só lanchinhos, você, mulher, vai ter que ouvir coisas do tipo “quem sabe a gente pára por aqui, estamos nos vendo demais, você vai se apaixonar por mim”, quando na verdade, tudo que passa pela nossa cabeça é “quando é que nós vamos transar, hein?”. Entendam, nenhum nome passou pela nossa cabeça, somente o sexo passou por ela [e isso não quer dizer que essa mulher vai dar pra qualquer um, um mínimo de cérebro também é exigido nesses casos].

É por isso que, os lanchinhos das mulheres não duram muito tempo, gerando uma rotatividade desnecessária [piada de mau-gosto você também encontra aqui =)]. Com raras exceções, claro, se você tiver sorte de encontrar alguém que entenda e respeite isso.

Pequenos gestos são, às vezes, pequenos gestos. Apenas.


Uma conchinha pode ser só uma conchinha.
Um contato físico mais prolongado e carinhoso. Uma sobremesa confortável depois de uma refeição abundante. Um ato que “já que você está aí, por que não?”.


Portanto, homens e mulheres, não pensem demais sobre os seus lanchinhos. Uma vez que vocês o fizerem, revejam esse conceito, para vocês. A partir do momento em que nos importamos ou pensamos demais [pelo menos EU penso assim] já é mais do que suficiente para saber que a opinião da outra pessoa sobre o que você sente faz diferença e... então...

Homens, entendam, às vezes vocês são apenas lanchinhos. Com direito à sobremesa.


Com agradecimentos especiais ao Cafa, que inventou o tão adorado termo “lanchinho”.