Semana passada recebi um link sobre um bar com a arquitetura e decoração inspiradas no filme Alien.
Hoje eu achei imagens de um outro bar, muito mais interessante, inspirado no Korova Milk Bar.
O Korova era aquele ambiente ultraviolento e satírico que o A-Lex Delarge frequentava, junto de seus amiguinhos, para ficar chapado de leite e psicotrópicos no filme Laranja Mecânica.
A réplica fica em White Plains, NY, e possui o mesmo nome do bar da obra-prima de Stanley Kubrick. Korova, por sinal, é "vaca" em russo.
Vi esse documentário e não pude deixar de lembrar de Janela da alma (2002), de João Jardim e Walter Carvalho. João e Walter tratam do tema visão - abstrato, completo, universal - mas de uma forma bem poética, mastigada e sem as travas de país subdesenvolvido.
Também não pude deixar de lembrar do espectro eletromagnético, que eu tanto amo e que nunca vou esquecer. Mas daí já entra a parte da física, e eu não quero cometer nenhum equívoco.
Janela da alma, que inspirou seu nome da frase de Leonardo da Vinci [o olho é a janela da alma, o espelho do mundo], tem um dos momentos mais brilhantes e emblemáticos do cinema, para mim, que é a participação do cineasta alemão Win Wenders.
O enquadramento da retina. Simples e brilhante.
Queria que Wenders estivesse aqui do meu lado agora, ia ganhar um abraço apertado e um beijo na testa. E é por isso que o Words and thoughts in RGB veio para cá (mas não somente por isso): a lembrança de um das frases mais lindas e brilhantes que já ouvi.
Wenders relata que quando ousou experimentar pela primeira vez lentes de contato, sentiu-se desconfortável, pois percebeu que precisava do enquadramento proporcionado pela armação dos óculos. Também explica, da forma mais simples possível, o sentido conotativo do olhar, a seleção natural feita pelo criador. A armação dos óculos é a necessidade de moldura, a subjetividade atuando em tudo, sempre. A moldura é a tela de cinema, é o espectro de captação da câmera, é a existência da quarta parede, em tudo. E ela é diferente e singular.